segunda-feira, 24 de junho de 2019

"A GUERRA DA GUERRA"


Não se pode mergulhar numa queda de braço com a cultura de um povo. Qualquer criança, que um dia teve a oportunidade de ver e conhecer algo sobre Folclore, no maternal, sabe disso. Falando especificamente da cidade de Senhor do Bonfim, a "Guerra de Espadas", faz parte do íntimo, do imaginário do Bonfinense. 

Alguns Bonfinenses levam isso tão a sério, que acham que a data de seu nascimento é o dia que estreiam numa "Guerra de Espadas". Não se pode arrancar este sentimento do coração, sem matar, simbolicamente, o ethos do nativo desta terra. Por isso, a imposição de qualquer "norma" que testemunhe contra esse sentimento, nasce morta. E vai encontrar os óbices naturais dessa imposição. 

As autoridades públicas têm uma responsabilidade grande em ajustar uma normalidade social. A ordem deve ser preservada. É a justa medida que se impõe à elas, posto que são representantes da harmonia social.

Porém as autoridades que se colocam contra a cultura, acabam por perder legitimidade. É preciso que o diálogo vença e dê lugar a pacificação e harmonia sociais. Numa guerra real, todos, repito, todos perdem.

Se por um lado, vejo tudo isso ocorrer, de outro conclamo a todos a realizar um estudo técnico de viabilidade, demonstrando o potencial de cultura, a viabilidade econômica, a segurança e organização do evento, uma pesquisa de opinião pública e outras nuances que podem legitimar a "Guerra de Espadas". 

A alegria da noite mais alegre, não pode dar lugar a vaidade, a prantos de famílias inteiras, desesperadas, numa "Guerra da Guerra", tendo os espadeiros e os agentes públicos guerreando entre si. Não é esse tom que faz a autoridade moral dos homens públicos, se sedimentar ainda mais. É a capacidade de síntese o maior atributo deles. Temos que ouvir, estabelecer uma tese, sua antítese, para que a síntese seja eivada de legitimação social e de preservação da ordem pública.

Pergunto: Tudo que é legal, é moral??? Depois de vivenciar essa experiência, já encontrei a minha resposta a este questionamento. Pensem nisso, o São João de 2020, já começou. Mas é preciso ter atitude de mudar o status quo, porque de boa vontade, o inferno está cheio.

Edson Mascarenhas

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