15 de janeiro de 2020

ESCRITORA BONFINENSE LANÇA LIVRO SOBRE AMERICANA QUE DEIXOU ESTADOS UNIDOS NA PRIMEIRA GUERRA E VEIO PARA BRASIL PASSANDO PELO SERTÃO BAIANO


LIVRO: Evelyn Scott, Escapada, Rio de Janeiro, Versal Editores, 2020. Tradução: Maria das Graças Salgado

LANÇAMENTO: 15 de janeiro, quarta-feira, às 17:00hs, no Salão de Eventos do Novo Leste Hotel, na Praça Lauro de Freitas, 44, Centro, Senhor do Bonfim

PRESS REALEASE:

Nascida em uma família aristocrática do sul dos Estados Unidos, Evelyn Scott causou escândalo quando, em 1913, ainda menor de idade, fugiu para o Brasil com Frederick Wellman, nada menos que o diretor da prestigiosa School of Tropical Medicine da Universidade de Tulane, na Louisiana. Dr Wellman era casado, pai de quatro filhos e tinha o dobro de sua idade. No ano seguinte, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, o que fora pensado como uma simples “escapada”, tornou-se grande aventura existencial, tendo o casal sobrevivido por mais cinco anos no Rio de Janeiro, Natal, Salvador e no alto sertão da Bahia. Toda essa desconcertante experiência humana colocou Evelyn Scott em contato direto com costumes, alegrias e tristezas do povo simples do Brasil. Ao mesmo tempo lhe forneceu inspiração para este livro extraordinário, cuja primeira versão foi escrita numa fazendinha perdida em Lamarão e, sobretudo, em Vila Nova da Rainha, hoje Senhor do Bonfim, sertão da Bahia, muitas vezes reaproveitando papel de embrulho.

Com o fim da Guerra, o casal pôde finalmente voltar para os Estados Unidos, onde – talvez compensando a vida seca do sertão nordestino –, entregou-se à efervescência de Greenwich Village, bairro que concentrava a avant-garde literária na Nova York do entre-guerras.

Com a publicação de Escapada, em 1923, Evelyn Scott se tornou uma voz importante no universo literário americano. Entre 1921 e 1941, escreveu cerca de doze romances, além de autobiografias, poesia e contos. Foi colaboradora ativa da revista The Dial, centro do movimento modernista, onde publicou poemas e artigos de crítica literária.

Em Escapada, Evelyn Scott traz para o centro da narrativa a subjetividade feminina, explorando sua própria experiência existencial, sexualidade, gravidez, parto e maternidade naquele Brasil acanhado e provinciano dos inícios do século XX. A jovem escritora vive o Brasil da Velha República.  Combina elementos de uma perigosa jornada interna – uma “escapada” por amor – com admirável capacidade de observação do ambiente social, costumes e paisagens do Brasil.

O alerta de Otto Maria Carpeaux, há mais de 70 anos, para a importância de Escapada como criação literária e fonte de informações sobre nosso país não foi ouvido. A literatura de Evelyn Scott permaneceu desconhecida no Brasil, exatamente o país inspirador de sua obra prima. A lacuna foi finalmente preenchida. Os leitores de língua portuguesa já podem conhecer Escapada, marco do modernismo americano e do percurso das mulheres na literatura.

Maria das Graças Salgado

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