3 de junho de 2020

DIOCESE DE BONFIM EMITE NOTA SOBRE O ACOMPANHAMENTO DO COVID-19 NA DIOCESE DE BONFIM



Aos presbíteros, religiosos e religiosas, agentes de pastoral, leigos e leigas de nossa Igreja Particular.

O momento presente é muito delicado e exige de todos nós, pastores e rebanho, um cuidado ainda maior com o outro. É tempo de reconhecermos, como membros de uma comunidade eclesial, que a nossa prática religiosa deve respeitar o princípio moral da responsabilidade pessoal e social. Os indivíduos e grupos sociais estão moralmente obrigados a levar em conta também os direitos para com os outros e o bem comum, procedendo com justiça e bondade (cf. Dignitatis Humanae, n. 7). 

Estamos na fase, chamada pelos especialistas, de “interiorização da Covid-19”. O vírus está avançando para o interior do país e o nosso Estado da Bahia também está sendo afetado. Temos acompanhado a evolução do número de casos em nossa Diocese de Bonfim, nos 27 municípios que a compõem, e os dados nos preocupam.

Como cristãos somos chamados a colaborar para conter o número de contágios, pois cada pessoa infectada transmite o vírus para, pelo menos, outras três a cinco.

Muitos foram acometidos pelo vírus e são assintomáticas. E, por não saberem, estão disseminando o “inimigo invisível”. Segundo as informações fornecidas por cada uma das prefeituras municipais, em seus respectivos meios de comunicação, os atuais dados relativos à Covid-19 no território de nossa Diocese são os seguintes: 258 casos confirmados, 105 suspeitos, 8 óbitos e 1.194 monitorados (atualizados em 1º/06).

Nessa estatística, as cidades com maior número de casos são: Senhor do Bonfim, 48 casos e 01 óbito; Jacobina, 45 casos e 01 óbito; Umburanas, 35 casos; Capim Grosso, 27 casos e 03 óbitos; Jaguarari, 20 casos; Queimadas, 16 casos; Cansanção, 15 casos. S

em ignorarmos, todavia, o fato de que os testes são escassos e o número de pessoas afetadas é, provavelmente, bem maior. As prefeituras têm publicado decretos, quase que, semanalmente, e algumas têm permitido reuniões e eventos com um número limitado de pessoas e flexibilizando aglomeração de pessoas.

Tal decisão tem seu valor e sentido de ser nas grandes cidades, onde a pandemia já começa a atingir o seu pico. Não é o caso do interior, como o nosso, onde a vírus ainda está em vertiginoso aumento de contágio, a testagem da população ainda não é feita e a maioria dos municípios não tem estrutura para suportar uma demanda maior de assistência hospitalar.

Como Igreja Católica, devemos ter muita prudência e não nos submeter, simplesmente, ao que determinam neste caso, pois o nosso dever cristão nos impele a um acurado discernimento do momento presente e, por compromisso ético cristão, ponderarmos, para que não sejamos coniventes com a disseminação do vírus.

Tal atitude tem sido tomada também pelas diversas Dioceses do nosso Regional Nordeste 3, e os bispos estão acompanhando a situação.

Diante disso, aprovamos no Colégio dos Consultores, em reunião extraordinária por videoconferência, no último dia 26 de maio, a constituição da Comissão Diocesana para acompanhamento pastoral e orientações progressivas no período da pandemia da Covid-19.

Tal comissão foi composta por: Dr. Wellington Jefferson S. da Silva – médico clínico geral; Dra. Ana Rita Dias de Souza Barros – consultora jurídica; Dra. Maria Lúcia Ricarte de Freitas – psicóloga; Eduardo César Silva Oliveira – seminarista; Lizze Jambeiro de Freitas – enfermeira (coordenadora estratégia de saúde da família); Pe. Jarbas Gonçalves dos Santos – representante do Clero; Pe. Johnny Silva Borges – chanceler da Cúria; Pe. Thiago Rafael Chagas – coordenador diocesano de pastoral; Ada Carolina Felisberto Rodrigues da Silva – enfermeira (especialização em urgência, emergência e UTI/preceptoria no SUS). Essa Comissão multidisciplinar nos ajudará na tomada de decisões e orientações concretas para as atividades pastorais e celebrativas em nossa Diocese. Tais orientações, que serão publicadas por notas pastorais, deverão ser acolhidas por todos com espírito de generosidade e verdadeira caridade cristã, pois consideramos o valor da vida humana em sua integridade, enquanto valor fundamental sobre o qual fundamentam-se todos os outros valores da pessoa (cf. Donum Vitae, n. 4).

A partir do trabalho desenvolvido por esta comissão, ao longo das próximas semanas, daremos as orientações sobre os temas litúrgico-pastorais inerentes à vida desta Igreja Particular. Certos da sábia compreensão e abnegada colaboração de todos, agradecemos por todo o empenho aplicado até agora, e renovamos o nosso convite a não desanimarmos no serviço a Deus, que “não é injusto, para esquecer o vosso trabalho e o amor que demonstrastes por seu nome, servindo e continuando a servir aos santos” (Hb 6,10).

Pedimos a Maria, Mãe da Igreja, que seja a nossa intercessora junto ao seu Filho, para que ele possa vir em nosso auxílio, nestes difíceis tempos. 

Senhor do Bonfim, 1º de junho de 2020


Dom Hernaldo Pinto Farias, SSS Bispo Diocesano

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