2 de junho de 2020

MANOEL. O PADIOLEIRO - AVENTURAS DE UM PRACINHA BAIANO (BONFINENSE) NA II GUERRA MUNDIAL


Resenha por: Edvan Cajuhy


Livro: Manoel, o padioleiro – Aventuras de um pracinha baiano na II guerra Mundial         
Autor: Chico Araújo                                     Gênero: biográfico/memória/histórico                                 
Páginas: 132                                                 Ano: 2019                                                     
Onde comprar: Com o próprio autor             Livro: Foi um presente enviado pelo autor.

Esta obra literária de cunho biográfico, histórico e memorial de autoria de Chico Araújo, a qual ele poder-se-ia por assim dizer, biografa o senhor Manoel, e o faz de forma elegante e descontraída. O autor que tece sua narrativa ora, na 3ª pessoa, ora na 1ª primeira pessoa, pois, o biografado fala, sobre sua trajetória, confirmando a veracidade dos fatos. Quem é o Senhor Manoel?

Primeiramente, antes de dizer quem é o Sr. Manoel, relatarei como o livro chegou até mim. O senhor Manoel e sua esposa Maria de Lourdes Pereira de Oliveira (Lurdinha), como chamava a pessoa que me entregou o livro: Daniel Carvalho, que disse: “Os conheci frequentando a casa de vó (professora Olga Campos de Menezes), eles (o casal) e a (professora Olga) eram compadres, onde todas as vezes que vinha a Bonfim lhes faziam uma visita. Daniel Carvalho, sendo neto da Professora Olga e  morando  com ela, sempre testemunhava esses encontros e, mesmo com a partida da professora Olga Campos para a eternidade, a amizade entre Daniel e sua mãe Conceição Carvalho com o casal seu Manoel e D. Lurdinha se manteve.

Então Daniel, num domingo de fevereiro, liga pra mim e diz ter algo pra me dar de presente, pois alguém da capital baiana tinha deixado em sua casa. Foi até em casa, ele contou como foi encontro e a conversa com o Senhor Manoel e seu filho Paulo que estiveram em visita a sua casa em janeiro desse ano e, demonstrou interessado em compartilhar essa história com os bonfinenses, sobre o senhor Manoel, bonfinense que participou na II Guerra Mundial ao lado dos países aliados e contra o Nazismo de Adolf Hitler (Alemanha) e o Fascismo de Mussolini (Itália).

O senhor Manoel e seu filho Paulo, perguntaram se teria alguma entidade cultural ou alguém, que pudesse divulgar essa produção em Senhor do Bonfim, Daniel Carvalho respondeu que a Academia de Letras e Artes de Senhor do Bonfim – ACLASB e o seu presidente na época, Edvan Cajuhy, e assim o autor, autografou um livro em nome de Edvan como presente e com a  possiblidade de fazermos algo ou trazermos essa obra para Bonfim, incentivando às pessoas a adquiri-la e conhecê-la.

Voltemos, pois, a pergunta: Quem foi o senhor Manoel?

Manoel Alves de Oliveira ou simplesmente Manoel, como sempre é referido no livro é o personagem central e/ou biografado desse livro, nasceu na Fazenda Lagoa das Antas em Senhor do Bonfim, filho de José Gregório Alves de Souza e Djanira Alves de Oliveira (p.14), registrado já adulto em Salvador (p.22).

Primeiramente fugiu da Fazenda Lagoa das Antas, vindo instalar-se da sede do município na casa de seu padrinho (dentista), depois fugiu de novo para capital baiana, sempre em busca de melhores condições de vida. Lá através de uma amizade conseguiu  um trabalho na casa de um alemão, nesse período foi quando se registra, (primeiro documento), por acaso, viu um bilhete convidando jovens a alistar-se para o exercito. Ele interessou-se, e assim o fez, porém nunca imaginava que seria escolhido para formar o grupo de pracinhas para ir à Europa lutar na Grande Guerra.

Então a obra aqui apresentada, traz a história desse baianinho e bonfinense, desde sua saída de Senhor do Bonfim, a sua participação na II Guerra Mundial ao lado das forças aliadas, o fim da guerra e o seu retorno à pátria natal, e o que se sucedeu depois dessa experiência inusitada? 

Ele fala dos horrores da guerra, das mortes e feridos, dos socorros que ele e seus companheiros deram aos feridos, já que ele trabalhou na campanha de saúde, pois tinha aprendido muita coisa sobre procedimentos de socorro com o seu padrinho dentista. Ele diz que, desejar a guerra é uma insanidade, somente quem não viveu aquilo, não sabe o quão é doloroso, pra todo mundo. “(...). Das razões que levam a uma guerra, muitas são difíceis de ser entendidas. Matar, destruir, ganhar posições, fazer o inimigo submisso...”.

Mas, como ele era padioleiro, ou seja, ele trabalha no resgate e cuidado de pessoas feridas, poderiam ser elas aliadas ou inimigas, a ordem era salvar vidas.

_ Cuidávamos dos feridos com entusiasmo, com prazer. Parecia que, naquele momento, Deus estava ali ao nosso lado nos dando força, fazendo com que a gente superasse todos os problemas. Mesmo diante das agruras, estávamos firmes e fortes. (p. 72).

O senhor Manoel e seus companheiros enfrentaram grandes perigos, além do frio congelante no continente europeu, mas, precisamente na Itália. Nisso tudo seu Manoel expressa seu orgulho de ter lutado contra o Nazismo de Adolf Hitler e o Fascismo de Benito Mussolini: (...) Imagine se os alemães e japoneses vencessem a guerra... Hoje, seriamos colônias deles, íamos ser escravizados, comer suas sobras. Lutamos na guerra para livrar o mundo do mal do nazismo e fascismo. (...) (p.54).

Bem, o livro está dividido em subtítulos que delineia a trajetória histórica do biografado, bem como, suas aventuras na guerra, os sustos, os medos, os perigos, as experiências, as vidas salvas, as paqueras, pós-guerra ainda em terras italianas, os passeios turísticos, o encontro com o Papa, o retorno. Como foram recebidos aqui no Brasil e o que o Governo Brasileiro lhes garantiu depois dessa empreitada.

É uma obra emocionante, de história verídica e bonita, mesmo se narrando de guerra, o autor conseguiu de maneira brilhante dar leveza a narrativa, recheadas dos depoimentos do biografado. Recomento, pois, a todas as pessoas da Bahia ou não e, principalmente os bonfinenses a conhecerem esse personagem da nossa história, bem como sua trajetória que enriquece ainda mais a história do Brasil, da Bahia e de Bonfim.  Vale a pena viajar nessa narrativa. Parabéns o senhor Manoel, parabéns Chico Araújo. Obrigado pelo presente! E desejo a todos os leitores, uma boa leitura! Abraço e boa quarentena.

Senhor do Bonfim, 01 de junho de 2020.

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