1 de junho de 2020

POR WAGNER ROSA: EXEMPLO DO REI


Luiz Gonzaga do Nascimento, nascido no 13º dia do mês de dezembro de 1912, na fazenda Caiçara, em Exu sertão pernambucano, Filho de Seu Januário José dos Santos, mestre Januário (sanfona de oito baixos) e Ana Batista de Jesus (D. Santana), que com sua voz e musicalidade ímpar, cantou e eternizou toda uma região, o nordeste brasileiro. Pedaço de terra desprezado e esquecido pelo resto do país após o surgimento das Minas Gerais e o progresso de São Paulo.

O Nordeste brasileiro foi entregue à própria sorte nas mãos de coronéis políticos oportunistas, cangaceiros e o pior dos seus algozes a seca, fenômeno da natureza que, aliado a diversos interesses tripudiava e ainda tripudia sobre o povo sofrido da região, tornando-o refém de toda uma indústria de exploração de vidas que massacrou seu povo durante séculos.

Luiz Gonzaga surge neste contexto e sob a influência de seu Januário desenvolve o dom da música que passa dentre vários acontecimentos, a ganhar espaço em sua vida a ponto de ocupa-la por inteiro fazendo do mesmo um exímio cantor, compositor e sanfoneiro e que junto com parcerias apresentadas pelo destino, como Humberto Teixeira e Zé Dantas, construiu um vasto repertório que lhe eternizou e toda a região.

Literalmente o músico cantou o sertão nordestino, ganhando apoio e força traduzindo em belíssimas e significativas canções a voz, o sofrimento tristezas e alegrias do seu povo, apresentou o nordeste ao Brasil e ao mundo tornando-se um ícone de talento e nordestinidade, superando preconceitos e dificuldades diversas.

Porém Luiz Gonzaga são se limitou a ser somente artista musical, fez da sua música e prestígio, meio para defender e lutar por melhorias para o seu povo. Junto a autoridades políticas conseguiu obras como a rodovia asa branca, açudes e barragens, mediou o fim dos conflitos violentos entre as famílias Saraiva, Sampaio e Alencar promovendo a paz na sua região.

Antes de tudo um forte, Luiz Gonzaga, como podemos conferir, não veio para essa vida em vão, veio mais que cantar, veio dar vez e voz a um povo esquecido e sofrido. Porém, forte, com coragem e força para resistir e manter a sua cultura. Gonzagão veio também dar o exemplo de como ser um grande artista e grande homem a ser seguido por todos.

No dia 02/08/1989 o artista que já lutava há seis anos contra um câncer de próstata nos deixou, aos 76 anos, vítima de uma parada cardíaca.


Pedagogo pela Universidade do Estado da Bahia, Funcionário do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Cantor, Músico e Compositor

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