"O silêncio que fica após a sirene desligada"


Essa pergunta dói porque nasce do sangue, do luto e do silêncio que fica depois da sirene desligada: quanto vale a vida de um policial?

No Brasil, parece que essa resposta nunca vem inteira. Vem quebrada, vem atrasada, vem em forma de homenagem póstuma, de nota oficial, de bandeira dobrada entregue a uma família que nunca mais será a mesma.

Estamos perdendo irmãos em combate. Homens e mulheres que saem de casa sabendo que podem não voltar, mas voltam o pensamento para um propósito maior: proteger quem nem sempre reconhece, quem às vezes critica, quem muitas vezes só percebe a importância quando a tragédia bate à porta. O policial não enfrenta apenas o criminoso armado; enfrenta a desigualdade, a falta de estrutura, a pressão psicológica, o medo constante e, não raro, a indiferença.

Vale a pena ser policial no Brasil?

Vale quando se acredita que a vida do outro importa, mesmo quando a própria vida parece valer pouco para o sistema. Vale quando se escolhe ficar de pé enquanto o caos tenta empurrar todos para o chão. Vale quando a farda não é apenas um uniforme, mas um compromisso diário com a ordem, com a justiça e com a esperança de dias melhores.

Mas não dá para romantizar a dor. Não dá para aceitar como normal o enterro de mais um irmão de farda. Não dá para achar justo que famílias sejam marcadas para sempre enquanto a sociedade segue como se fosse só mais uma notícia. A vida do policial precisa valer antes do combate, precisa valer em treinamento digno, em equipamentos adequados, em apoio psicológico, em respeito institucional e humano.

O policial não é herói de ferro. É gente. Tem medo, tem filhos, tem sonhos, tem contas para pagar e saudade antecipada de casa. Quando um policial cai, não cai só um profissional: cai um pai, uma mãe, um filho, um amigo. Cai um pedaço da própria sociedade que ele jurou proteger.

Talvez a pergunta certa não seja apenas se vale a pena ser policial no Brasil, mas se o Brasil está valendo a vida de seus policiais. Enquanto essa resposta não for dada com ações concretas, cada perda continuará sendo uma ferida aberta. E ainda assim, mesmo feridos, muitos seguem firmes, porque acreditam que desistir seria entregar tudo ao caos.

Honrar esses irmãos não é só chorar suas mortes. É lutar para que menos nomes entrem na lista. É reconhecer, em vida, o valor de quem escolheu proteger, mesmo quando o preço é alto demais.


SGT PM ANJO

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