Mulher afirma que procurou o HEDAM em 1º de agosto, quando teria sido informada de que estava tudo bem com o bebê; dez dias depois, retornou ao atendimento com dores e descobriu a ausência dos batimentos cardíacos. Segundo ela, após a indução do parto, o bebê nasceu já apresentando sinais de decomposição.
Uma mãe de Senhor do Bonfim identificada como Isabella, decidiu tornar público um relato doloroso sobre os últimos dias de sua primeira gestação. Ela afirma que procurou atendimento no Hospital Estadual Dom Antônio Monteiro (HEDAM) no dia 1º de agosto, quando, segundo seu relato, foi examinada e teve os batimentos cardíacos do bebê verificados.
Naquele momento, conforme conta, teria sido informada de que estava tudo bem com a criança. Durante o atendimento, porém, os profissionais teriam identificado uma infecção urinária e aplicado um medicamento por via intravenosa. Após receber a medicação, ela afirma que foi liberada e retornou para casa.
Dez dias depois, tudo mudou
A mulher relata que começou a sentir dores no dia 11 de agosto e procurou o posto de saúde do distrito de Quicé, onde foi atendida por uma enfermeira.
Segundo a mãe, durante o atendimento, a profissional teria informado que o medicamento aplicado anteriormente no hospital não seria o tratamento adequado para a infecção urinária.
Ainda conforme o relato, a enfermeira tentou verificar os batimentos cardíacos do bebê, mas não conseguiu localizá-los.
Diante da situação, a paciente recebeu um encaminhamento e retornou ao HEDAM.
No hospital, de acordo com a mãe, os profissionais também tentaram localizar os batimentos cardíacos por meio de cardiotocografia, mas não conseguiram.
Foi então que, segundo ela, recebeu a orientação para realizar uma ultrassonografia em serviço particular.
O exame teria confirmado aquilo que nenhuma mãe gostaria de ouvir:
o bebê havia morrido.
A espera pelo parto
Após retornar ao hospital com o resultado da ultrassonografia, a mãe afirma que foi encaminhada para uma sala e informada de que, no dia seguinte, seriam iniciados procedimentos para indução do parto.
Segundo seu relato, começaram então as tentativas de indução.
Ela afirma que recebia quatro comprimidos a cada quatro horas, chegando ao total de 12 comprimidos durante o processo.
“Passei o dia todo de tortura”, relatou a mãe ao descrever as horas de sofrimento que antecederam o nascimento do filho.
Após todo o processo, ela afirma que conseguiu dar à luz por volta das 20h50.
Mas a dor teria sido ainda maior naquele momento.
Segundo o relato da mãe, o corpo do bebê já apresentava sinais de decomposição.
Uma perda cercada de perguntas
O caso relatado por Isabella levanta uma série de questionamentos sobre a sequência dos atendimentos realizados entre os dias 1º e 11 de agosto.
Ela afirma que, no primeiro atendimento, os batimentos cardíacos do bebê foram identificados e que recebeu medicação para tratar uma suposta infecção urinária.
Dez dias depois, ao procurar atendimento novamente por causa de dores, os batimentos já não foram encontrados e o exame de ultrassonografia confirmou o óbito fetal.
A partir daí, vieram a indução do parto, horas de sofrimento e, finalmente, o nascimento de um bebê que, segundo a mãe, já apresentava sinais de decomposição.
O que aconteceu nesse intervalo?
Quando ocorreu a morte fetal?
Quais exames foram realizados no primeiro atendimento?
Qual medicamento foi administrado e qual era a indicação?
Havia algum sinal de alerta que pudesse ter sido identificado antes?
São perguntas que precisam ser respondidas com base em prontuários, exames, laudos, registros de atendimento e avaliação técnica.
HEDAM precisa esclarecer o caso
O Blog do Netto Maravilha procurou ouvir o Hospital Estadual Dom Antônio Monteiro (HEDAM) e os responsáveis pelo atendimento para que apresentem sua versão sobre os fatos. Mas foi informado apenas que estão investigando.
É importante deixar claro que esta reportagem apresenta o relato da mãe e não afirma, neste momento, que houve erro médico, negligência ou qualquer outra irregularidade. Eventual responsabilidade somente poderá ser estabelecida após apuração técnica e pelas autoridades competentes.
Será que alguma coisa poderia ter sido diferente?
É justamente essa resposta que precisa ser buscada com seriedade, documentos, investigação e respeito à família.
Blog do Netto Maravilha

